A megabexiga fetal, também chamada de megacistia fetal, é uma alteração identificada durante o ultrassom pré-natal, caracterizada pelo aumento anormal da bexiga do bebê, que pode apresentar dificuldade para esvaziar a urina.
No primeiro trimestre da gestação, considera-se megabexiga fetal quando o diâmetro longitudinal da bexiga é igual ou superior a 7 mm. No segundo e terceiro trimestres, o diagnóstico considera principalmente o aumento persistente da bexiga e a ausência de esvaziamento durante a avaliação ultrassonográfica.
Essa alteração pode estar relacionada a problemas na formação ou no funcionamento do sistema urinário. Entretanto, nem todos os casos representam uma obstrução grave ou exigem cirurgia.
Entre as condições que podem provocar o aumento da bexiga do bebê, destacam-se:
Válvula de uretra posterior: malformação que ocorre em fetos masculinos e dificulta a saída da urina pela uretra;
Estenose ou atresia uretral: estreitamento ou ausência de abertura adequada da uretra, impedindo o fluxo normal da urina;
Síndrome de Prune Belly: condição congênita associada a alterações da musculatura abdominal e do aparelho urinário;
Alterações neuromusculares: problemas que comprometem o funcionamento e o esvaziamento da bexiga;
Alterações genéticas e cromossômicas: algumas síndromes podem estar associadas ao desenvolvimento da megabexiga fetal.
Nos casos mais graves, a obstrução urinária pode provocar dilatação dos rins (hidronefrose), comprometimento da função renal e redução do líquido amniótico, aumentando o risco de complicações durante a gestação.
Como é feito o tratamento da megabexiga fetal?
O tratamento depende da causa, da gravidade da alteração, da idade gestacional e das condições dos rins e do líquido amniótico.
Nos casos leves, especialmente quando identificados no início da gestação, a megabexiga pode regredir espontaneamente. Nessas situações, o acompanhamento com ultrassonografias periódicas permite observar o desenvolvimento do sistema urinário e identificar possíveis alterações.
Quando existe obstrução urinária significativa, pode ser necessário um acompanhamento mais rigoroso. Em situações graves e criteriosamente selecionadas, procedimentos intrauterinos, como a drenagem da bexiga fetal ou a derivação vesicoamniótica, podem ser considerados para aliviar a obstrução e favorecer a manutenção do líquido amniótico.
Essas intervenções apresentam riscos e não garantem a recuperação da função renal.
Em outros casos, é possível acompanhar a gestação e realizar o tratamento após o nascimento, quando uma avaliação especializada poderá determinar a necessidade de cirurgia para corrigir a obstrução ou outras alterações urinárias.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento conjunto da medicina fetal e da uropediatria são fundamentais para avaliar os riscos, acompanhar o desenvolvimento dos rins e planejar a assistência ao bebê antes e depois do nascimento.
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Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629
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