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Testículo atrófico na infância: quais são as causas e o que fazer?

A atrofia testicular na infância ocorre quando um ou ambos os testículos apresentam redução de tamanho e volume, geralmente em consequência de alterações que comprometem seu desenvolvimento ou provocam danos ao tecido testicular.

Essa condição merece atenção porque os testículos são responsáveis pela produção de testosterona e, a partir da puberdade, dos espermatozoides. Dependendo da causa e da gravidade, a atrofia pode comprometer a função hormonal e a fertilidade futura.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento com um uropediatra são fundamentais para identificar a causa, avaliar a função testicular e definir o tratamento adequado.

 

Quais são as principais causas da atrofia testicular infantil?

 

Criptorquidia (testículo não descido)

 

A criptorquidia acontece quando um ou ambos os testículos não chegam à bolsa escrotal. A permanência fora do escroto pode prejudicar o desenvolvimento testicular, principalmente pela exposição a temperaturas mais elevadas. Sem tratamento no período adequado, aumenta o risco de alterações no tecido e na função do testículo.

 

Torção testicular

 

A torção testicular ocorre quando o cordão espermático sofre uma torção, comprometendo a circulação sanguínea. A falta de oxigênio pode provocar lesões irreversíveis e levar à atrofia ou à perda do testículo.

 

É uma emergência médica. Dor testicular súbita e intensa, especialmente acompanhada de náuseas ou vômitos, exige atendimento hospitalar imediato.

 

Varicocele

 

Mais frequente durante a adolescência, a varicocele é caracterizada pela dilatação anormal das veias que drenam o sangue dos testículos. Em alguns pacientes, pode interferir no crescimento testicular, provocando diferença de volume entre os dois lados.

 

Orquite

 

A orquite é uma inflamação do testículo, que pode ter origem viral ou bacteriana. Em situações mais graves, o processo inflamatório pode provocar danos ao tecido testicular e resultar na redução do seu tamanho.

 

Testículo retrátil ou ascendente

 

O testículo retrátil se movimenta entre a bolsa escrotal e a região inguinal devido a um reflexo muscular. Geralmente, apresenta tamanho e desenvolvimento normais.

Entretanto, algumas crianças podem desenvolver a chamada ascensão testicular adquirida, quando o testículo deixa de permanecer adequadamente no escroto. Essa situação precisa ser diferenciada do testículo retrátil e pode exigir tratamento cirúrgico.

Como identificar os sinais de atrofia testicular na criança?

A atrofia testicular nem sempre provoca dor ou outros sintomas evidentes. Muitas vezes, a alteração é identificada durante exames pediátricos de rotina.

 

Entre os principais sinais que merecem investigação estão:

 

  • Um testículo visivelmente menor que o outro;
  • Redução progressiva do tamanho testicular;
  • Ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal;
  • Alterações no crescimento dos testículos durante a puberdade;
  • Atraso no desenvolvimento puberal, especialmente quando os dois testículos estão comprometidos.
  • Dor, inchaço ou sensibilidade também podem ocorrer nas doenças que afetam os testículos, embora não sejam sinais específicos de atrofia. 

Como é feito o diagnóstico?

 

O diagnóstico começa com a avaliação clínica realizada pelo uropediatra, que examina a posição, o tamanho, a consistência e a simetria dos testículos.

Quando necessário, o ultrassom testicular com Doppler pode complementar a investigação, permitindo medir o volume testicular, analisar sua estrutura e avaliar a circulação sanguínea.

Nos casos de testículo não palpável, o exame físico especializado é especialmente importante, pois o ultrassom nem sempre consegue localizar um testículo que esteja fora da bolsa escrotal.

O tratamento depende da causa da atrofia, da idade da criança, do grau de comprometimento e da possibilidade de preservar a função testicular.

 

As principais condutas incluem:

 

Acompanhamento especializado: indicado para monitorar o desenvolvimento e identificar possíveis alterações de tamanho e função.

 

Cirurgia para criptorquidia: permite posicionar o testículo na bolsa escrotal, buscando preservar seu desenvolvimento e reduzir complicações futuras.

 

Tratamento da varicocele: pode ser indicado quando existe redução persistente do volume testicular ou outras condições que justifiquem a intervenção.

 

Cirurgia de emergência: necessária nos casos de torção testicular, para tentar restabelecer a circulação e preservar o órgão.

 

Avaliação hormonal: pode ser necessária quando há suspeita de comprometimento da produção de testosterona ou atraso puberal.

 

Por isso, perceber diferenças no tamanho dos testículos ou alterações em seu desenvolvimento é motivo para procurar um uropediatra. A avaliação especializada permite identificar problemas precocemente, estabelecer o acompanhamento necessário e proteger, sempre que possível, a saúde testicular e reprodutiva da criança.

 

 

 

 

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Dr. Marcelo de Oliveira Rosa

Uropediatra em Goiânia

CRM-GO: 6839  RQE: 3524/3629

 

 

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