A varicocele é caracterizada pela dilatação anormal das veias responsáveis pela drenagem do sangue dos testículos. Embora seja pouco comum antes dos 10 anos, torna-se mais frequente com o início da puberdade e pode atingir cerca de 14% a 20% dos adolescentes. Na maioria dos casos, ocorre no lado esquerdo.
Muitos meninos com varicocele não apresentam sintomas, e a alteração pode ser percebida pelos pais, pelo próprio adolescente ou identificada durante um exame médico de rotina.
Quando existem manifestações, as mais frequentes incluem:
- sensação de peso ou desconforto no escroto;
- dor testicular, principalmente após exercícios físicos ou longos períodos em pé;
- aumento aparente das veias do escroto;
- sensação ou aspecto de veias dilatadas na bolsa escrotal;
- diferença de tamanho entre os testículos.
Um dos pontos mais importantes na avaliação de crianças e adolescentes com varicocele é justamente acompanhar o crescimento dos dois testículos. Em alguns pacientes, o testículo do lado afetado pode apresentar redução do volume ou crescimento inferior ao testículo contralateral.
O diagnóstico começa pelo exame físico realizado pelo urologista pediátrico, geralmente com o paciente em pé. Dependendo do grau da varicocele, as veias dilatadas podem ser percebidas durante a palpação ou até mesmo visualizadas.
O médico também compara o tamanho dos testículos para identificar possíveis diferenças no desenvolvimento.
Quando necessário, pode ser solicitado um ultrassom da bolsa escrotal com Doppler, exame que permite avaliar o volume testicular e identificar o refluxo sanguíneo nas veias.
A ultrassonografia também pode detectar casos chamados de varicocele subclínica, nos quais o refluxo venoso é identificado pelo exame de imagem, mas a alteração não é evidente durante o exame físico.
Varicocele pode causar infertilidade?
Essa é uma das principais preocupações dos pais quando recebem o diagnóstico.
A presença de varicocele na adolescência não significa que o menino terá infertilidade no futuro. As diretrizes europeias de urologia pediátrica estimam que problemas relacionados à função testicular possam ocorrer em aproximadamente 20% dos adolescentes com varicocele, enquanto a maioria não desenvolverá esse tipo de complicação.
Por esse motivo, não é necessário operar todos os pacientes.
O objetivo do acompanhamento é justamente identificar aqueles que apresentam sinais de maior risco e que podem se beneficiar do tratamento.
Em crianças e adolescentes sem sintomas, com crescimento testicular adequado e sem outras alterações importantes, a conduta pode ser apenas de acompanhamento periódico.
Durante as consultas, o uropediatra observa principalmente a evolução da varicocele e compara o crescimento dos testículos ao longo do tempo.
A cirurgia pode ser considerada quando existem situações como:
- redução persistente do tamanho do testículo afetado;
- diferença significativa de volume entre os testículos;
- dor ou desconforto persistente;
- varicocele palpável nos dois lados;
- outras condições testiculares associadas;
- alterações na análise seminal em adolescentes mais velhos, quando esse exame é indicado.
O acompanhamento com o uropediatra permite avaliar sintomas, desenvolvimento dos testículos e evolução da varicocele, identificando precocemente os pacientes que realmente podem se beneficiar de tratamento.
Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629



