A hipospádia é uma condição congênita em que a abertura da uretra, por onde sai a urina, não está localizada na ponta do pênis, mas em algum ponto de sua face inferior. Dependendo da localização dessa abertura e das alterações associadas, a hipospádia pode ser classificada como distal, intermediária ou proximal.
Além da posição diferente da uretra, algumas crianças apresentam curvatura do pênis, alteração na distribuição do prepúcio ou mudanças na posição entre o pênis e o escroto.
Quando existe indicação para correção, o tratamento é cirúrgico. A cirurgia busca proporcionar um pênis funcional e com aspecto adequado, incluindo:
- corrigir a curvatura peniana, quando presente;
- reconstruir a uretra;
- posicionar a nova abertura da uretra próxima à ponta da glande;
- permitir um jato urinário adequadamente direcionado;
- reconstruir a glande e a pele do pênis quando necessário.
As diretrizes europeias de Urologia Pediátrica indicam que a correção primária da hipospádia é habitualmente realizada entre 6 e 18 meses de idade, embora o momento da cirurgia deva ser definido individualmente pelo uropediatra.
Quando uma única cirurgia pode ser suficiente?
Nas formas distais e em muitos casos intermediários, principalmente quando existe pouca ou nenhuma curvatura peniana e os tecidos apresentam boas condições para reconstrução, é frequentemente possível realizar toda a correção em um único procedimento.
Durante a mesma cirurgia, o urologista pediátrico pode corrigir a curvatura, reconstruir a uretra e realizar a reconstrução da glande e da pele.
Quando podem ser necessárias duas cirurgias?
Nas hipospádias proximais ou mais complexas, especialmente quando existe curvatura peniana importante ou necessidade de uma reconstrução uretral mais extensa, pode ser mais seguro planejar o tratamento em etapas.
Na primeira cirurgia, por exemplo, pode ser realizada a correção da curvatura e o preparo dos tecidos que serão utilizados na reconstrução. Depois da cicatrização, uma segunda cirurgia completa a formação da nova uretra e o posicionamento do meato.
As diretrizes atuais reconhecem que as reconstruções em dois ou mais tempos podem ser especialmente úteis em determinadas hipospádias proximais e complexas.
O intervalo entre as etapas é definido pelo uropediatra conforme a técnica utilizada, a cicatrização e as características de cada criança.
Em determinadas hipospádias complexas, realizar duas cirurgias faz parte do planejamento desde o início. Em outros casos, apesar de uma correção inicialmente adequada, podem surgir alterações como fístula urinária, estreitamento do meato ou da uretra, abertura da reconstrução ou recorrência da curvatura, situações que eventualmente exigem uma nova intervenção.
O risco dessas complicações é maior nas formas mais complexas da hipospádia, motivo pelo qual o acompanhamento depois da cirurgia é importante também durante o crescimento da criança.
Cada hipospádia precisa de um planejamento individual. Não existe uma única cirurgia indicada para todas as crianças.
A decisão depende principalmente da posição da abertura da uretra, intensidade da curvatura, tamanho e formato da glande, qualidade da placa uretral, disponibilidade de tecidos e presença de outras alterações genitais.
Por isso, a avaliação com um uropediatra é fundamental para definir se existe indicação cirúrgica e se a correção poderá ser realizada em uma única cirurgia ou será mais segura em etapas.
Um cuidado importante: quando houver suspeita de hipospádia no recém-nascido, é recomendado que a criança seja avaliada pelo especialista antes de realizar circuncisão ou retirada do prepúcio, porque esse tecido pode ser necessário em algumas técnicas de reconstrução.
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Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629



