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Quando usar testosterona em crianças?

A testosterona tem papel importante no desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos, na puberdade e no surgimento das características sexuais masculinas. Porém, o uso de testosterona em crianças não deve ser feito simplesmente porque o pênis parece pequeno, porque a puberdade ainda não começou ou com o objetivo de acelerar o crescimento.

A indicação depende da idade da criança, do desenvolvimento dos testículos e do pênis, dos níveis hormonais e, principalmente, da causa do problema.

Em algumas situações específicas, a testosterona pode fazer parte do tratamento. Antes disso, é fundamental descobrir se realmente existe deficiência hormonal e por que ela está acontecendo.

 

Em quais situações a testosterona pode ser indicada?

Uma das principais situações é o hipogonadismo masculino, condição na qual o organismo não produz testosterona em quantidade suficiente.

O hipogonadismo pode ser dividido em dois grandes grupos:

Hipogonadismo primário: o problema está nos próprios testículos, que não conseguem produzir testosterona adequadamente.

 

Hipogonadismo secundário: os testículos podem ter capacidade de funcionar, mas não recebem estímulo adequado do hipotálamo ou da hipófise, estruturas responsáveis pelo controle hormonal.

Existem diferentes doenças e alterações genéticas capazes de causar essas condições. Por isso, encontrar a origem da deficiência é tão importante quanto identificar a testosterona baixa.

 

A idade em que ocorre a deficiência faz diferença

Sim. Os sinais podem variar bastante dependendo do momento em que a deficiência de testosterona aparece.

Quando a alteração ocorre ainda durante a gestação, pode interferir no desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos.

 

Após o nascimento, algumas crianças podem apresentar alterações como:

  • pênis menor do que o esperado para a idade;
  • testículos pequenos;
  • testículos que não estão posicionados no escroto;
  • desenvolvimento genital incompleto.

Na adolescência, o sinal mais evidente pode ser o atraso ou a ausência da puberdade.

O adolescente pode apresentar pouco crescimento do pênis e dos testículos, menor desenvolvimento muscular, poucos pelos pubianos ou corporais e ausência de outras mudanças normalmente esperadas nessa fase.

 

Puberdade atrasada significa que precisa usar testosterona?

Não necessariamente. Existe uma variação normal na idade em que a puberdade começa. Alguns meninos simplesmente iniciam esse processo mais tarde.

Por isso, antes de considerar qualquer tratamento hormonal, é necessário avaliar o desenvolvimento da criança e investigar se existe realmente uma alteração na produção de testosterona.

 

A avaliação pode incluir exame físico dos testículos e do pênis e exames laboratoriais para medir hormônios como:

  • testosterona;
  • LH, hormônio luteinizante;
  • FSH, hormônio folículo-estimulante.

Dependendo do caso, outros exames hormonais, genéticos ou de imagem também podem ser necessários.

Os níveis de LH e FSH ajudam a identificar se a alteração está predominantemente nos testículos ou nos mecanismos hormonais que deveriam estimulá-los.

 

Como é feita a reposição de testosterona?

Quando existe indicação médica, a testosterona pode ser utilizada para estimular o desenvolvimento das características sexuais masculinas.

Em adolescentes com determinados tipos de hipogonadismo, por exemplo, o tratamento pode ser iniciado próximo à idade em que a puberdade normalmente começaria.

A reposição costuma ser feita de forma progressiva. Em vez de administrar uma quantidade elevada de hormônio de uma única vez, as doses podem ser aumentadas gradualmente ao longo do acompanhamento, buscando reproduzir de maneira mais próxima o desenvolvimento natural da puberdade.

A testosterona pode ser administrada de diferentes formas, dependendo da idade, do diagnóstico e da estratégia definida para cada paciente.

 

Síndromes genéticas também podem causar testosterona baixa?

Sim. Algumas condições genéticas podem comprometer a produção de testosterona ou os hormônios responsáveis por estimular os testículos.

Entre elas estão condições como síndrome de Klinefelter, síndrome de Kallmann, síndrome de Noonan e síndrome de Prader-Willi.

Também existem alterações da hipófise e do hipotálamo que podem interferir no início e na progressão da puberdade.

Nesses pacientes, o tratamento não deve ser direcionado apenas ao resultado de um exame. É necessário compreender toda a condição clínica e acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança.

 

 

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Dr. Marcelo de Oliveira Rosa

Uropediatra em Goiânia

CRM-GO: 6839  RQE: 3524/3629

 

 

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