A criptorquidia é a condição em que um ou ambos os testículos não estão posicionados corretamente dentro do escroto. O diagnóstico costuma ser simples e, na maioria das vezes, é feito por meio de avaliação clínica realizada pelo médico durante o exame físico.
Esse exame é realizado logo após o nascimento e deve ser repetido periodicamente nas consultas pediátricas. O uropediatra avalia a presença, a posição e o desenvolvimento dos testículos, verificando se eles estão localizados no escroto ou em outra região do trajeto natural de descida.
Em grande parte dos casos, o especialista consegue identificar o testículo por palpação. Ele pode estar localizado na parte superior do escroto ou ao longo do canal inguinal, região pela qual o testículo passa durante o desenvolvimento fetal.
No entanto, existem situações em que o testículo não é palpável. Isso pode acontecer quando ele permanece dentro do abdome, quando apresenta tamanho muito reduzido ou, em casos mais raros, quando não se desenvolveu adequadamente.
Quando o testículo não é localizado durante o exame físico, o médico pode solicitar exames complementares para ajudar na investigação.
Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética podem auxiliar na identificação de testículos localizados no canal inguinal ou em regiões próximas. No entanto, esses métodos têm limitações quando o testículo está dentro da cavidade abdominal.
Nessas situações, a laparoscopia diagnóstica pode ser indicada. Esse procedimento minimamente invasivo permite visualizar diretamente o interior do abdome e identificar a presença ou ausência do testículo.
Durante a laparoscopia, são feitas pequenas incisões na parede abdominal para introdução de uma câmera de alta definição, chamada laparoscópio. Com essa visualização, o cirurgião consegue localizar o testículo intra-abdominal ou confirmar quando ele não está presente.
Por que o diagnóstico precoce é importante?
Identificar a criptorquidia precocemente é fundamental para evitar complicações ao longo da vida. Quando o testículo permanece fora do escroto por muito tempo, podem ocorrer alterações em seu desenvolvimento e funcionamento.
Entre os principais riscos associados estão a torção testicular, o surgimento de hérnia inguinal e alterações na fertilidade futura. Além disso, a presença de testículo não descido está relacionada a maior risco de câncer testicular ao longo da vida.
Por isso, a avaliação periódica com pediatra ou uropediatra é essencial para garantir diagnóstico precoce e condução adequada do tratamento quando necessário.
Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629



