A microlitíase testicular é uma condição caracterizada pela presença de pequenas calcificações no interior dos testículos. Essas calcificações se formam dentro dos túbulos seminíferos, estruturas responsáveis pela produção dos espermatozoides, e podem estar presentes em apenas um ou nos dois testículos.
Na maioria dos casos, a microlitíase testicular não provoca sintomas, dor ou alterações visíveis. Por isso, o diagnóstico costuma acontecer de forma incidental durante a realização de uma ultrassonografia solicitada para investigar outras condições urológicas.
Como a microlitíase testicular aparece no ultrassom?
No exame de ultrassonografia, a microlitíase testicular apresenta um aspecto bastante característico. As calcificações aparecem como múltiplos pontos brilhantes espalhados pelo tecido testicular, geralmente medindo entre 1 e 3 milímetros.
Essa aparência é considerada típica da condição e permite que o diagnóstico seja realizado com grande precisão pelo exame de imagem.
A maioria dos especialistas considera a microlitíase testicular uma condição benigna. Entretanto, existe debate na literatura médica sobre uma possível associação entre microlitíase e alguns tumores testiculares em pacientes que apresentam fatores de risco adicionais.
Por esse motivo, o acompanhamento deve ser individualizado e orientado por um urologista pediátrico ou urologista especializado.
É importante destacar que a presença isolada da microlitíase não significa que a criança desenvolverá câncer de testículo.
O acompanhamento costuma ser mais rigoroso quando a criança apresenta condições associadas, como:
- Histórico familiar de câncer de testículo;
- Testículo não descido (criptorquidia);
- Atrofia testicular;
- Síndromes genéticas específicas;
- Histórico prévio de tumor testicular.
Nesses casos, o médico pode recomendar avaliações periódicas por ultrassonografia e acompanhamento especializado.
Não existe tratamento específico para eliminar as calcificações da microlitíase testicular. Como a condição geralmente não causa sintomas nem compromete a função testicular, não há necessidade de cirurgia ou medicamentos.
O manejo é baseado principalmente no acompanhamento clínico e na vigilância adequada quando existem fatores de risco associados.
Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629



