A hidronefrose antenatal é uma das alterações mais frequentemente identificadas durante os exames de ultrassonografia na gestação. O termo é utilizado quando há dilatação da pelve renal do bebê ainda dentro do útero, indicando que a urina pode não estar sendo drenada normalmente pelos rins.
Na maioria dos casos, esse achado é transitório e faz parte do desenvolvimento fetal, desaparecendo espontaneamente antes ou após o nascimento. No entanto, algumas situações exigem investigação e acompanhamento especializado, pois podem estar relacionadas a alterações do sistema urinário.
A hidronefrose ocorre quando há acúmulo de urina nos rins devido à dificuldade de escoamento pelas vias urinárias. Esse acúmulo provoca dilatação da pelve renal e, em alguns casos, também dos cálices renais.
Quando identificada durante a gestação, recebe o nome de hidronefrose antenatal.
Embora o diagnóstico possa gerar preocupação nos pais, é importante destacar que nem toda dilatação significa doença. Muitas vezes, trata-se apenas de uma variação fisiológica do desenvolvimento fetal.
Quando a dilatação persiste ou é mais acentuada, ela pode estar associada a diferentes condições, como:
- Estenose da junção entre rim e ureter;
- Obstruções das vias urinárias;
- Malformações congênitas do sistema urinário;
- Refluxo vesicoureteral (quando a urina retorna da bexiga para os rins);
- Mais raramente, tumores ou outras alterações estruturais.
Cada caso precisa ser avaliado individualmente para determinar a causa e definir a necessidade de tratamento.
A hidronefrose antenatal é grave?
Na maior parte das vezes, não.
Grande parte dos bebês apresenta resolução espontânea da dilatação nos primeiros meses de vida, sem necessidade de cirurgia.
Entretanto, quando existe obstrução significativa ou alterações funcionais dos rins, a hidronefrose pode favorecer:
- Infecções urinárias recorrentes;
- Comprometimento da função renal;
- Alterações no desenvolvimento dos rins;
- Necessidade de tratamento cirúrgico em alguns casos.
Por isso, o acompanhamento adequado é fundamental.
Como é feito o diagnóstico?
O primeiro diagnóstico costuma acontecer durante o ultrassom obstétrico de rotina.
Após o nascimento, o pediatra ou o uropediatra pode solicitar novos exames para confirmar se a dilatação permanece, como:
- Ultrassonografia dos rins e vias urinárias;
- Exames para avaliação da função renal;
- Cintilografia renal, quando indicada;
- Uretrocistografia miccional, nos casos em que há suspeita de refluxo vesicoureteral;
Em situações específicas, exames complementares como a ressonância magnética.
A escolha dos exames depende da intensidade da dilatação e da evolução clínica da criança.
Nem toda hidronefrose precisa ser operada.
Em muitos bebês, o tratamento consiste apenas em acompanhamento periódico com exames de imagem para monitorar a evolução.
Quando existe obstrução importante, piora da função renal, infecções urinárias repetidas ou aumento progressivo da dilatação, pode ser indicada intervenção cirúrgica para preservar a função dos rins.
Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629
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