O tratamento da hipospádia é cirúrgico e, atualmente, existe um consenso entre os especialistas de que a correção deve ser realizada preferencialmente nos primeiros anos de vida. Em geral, o período considerado ideal situa-se entre os 6 e 18 meses de idade.
A realização da cirurgia nessa fase está associada a melhores resultados funcionais, recuperação mais favorável e menor impacto emocional para a criança. Além disso, quanto mais precoce a correção, menores tendem a ser algumas dificuldades técnicas encontradas em intervenções realizadas tardiamente.
Entretanto, o sucesso do tratamento não depende apenas da idade do paciente. Fatores como a gravidade da hipospádia, a presença de curvatura peniana associada e, principalmente, a experiência do cirurgião exercem papel fundamental nos resultados.
Na maioria dos casos, especialmente nas formas mais comuns da doença, a reconstrução pode ser concluída em uma única cirurgia. No entanto, situações mais complexas podem exigir tratamento em duas etapas para garantir maior segurança e melhores resultados.
Quando são necessários dois tempos cirúrgicos, normalmente existe um intervalo aproximado de seis meses entre os procedimentos, permitindo adequada cicatrização dos tecidos antes da etapa seguinte.
Nas últimas décadas, os avanços da cirurgia reconstrutiva permitiram aprimorar significativamente os resultados do tratamento da hipospádia.
Nos casos mais graves, pode ser necessário utilizar enxertos para reconstruir a uretra. Entre as alternativas disponíveis, algumas técnicas foram desenvolvidas para aumentar a quantidade de tecido disponível e reduzir problemas como retração do enxerto durante a cicatrização.
Uma dessas abordagens utiliza mucosa retirada da parte interna da boca, preparada de forma a oferecer maior área de enxerto para a reconstrução uretral. O objetivo é melhorar a integração dos tecidos e favorecer resultados mais estáveis a longo prazo.
Em situações selecionadas, a oxigenioterapia hiperbárica pode ser utilizada como tratamento complementar ao procedimento cirúrgico.
A técnica consiste na administração de oxigênio em ambiente pressurizado, buscando aumentar a oxigenação dos tecidos e favorecer o processo de cicatrização.
Entre os possíveis benefícios descritos na literatura médica estão:
- Melhora da oxigenação local;
- Estímulo à cicatrização;
- Maior integração dos enxertos;
- Redução da retração cicatricial;
- Potencial diminuição de algumas complicações pós-operatórias.
Os protocolos variam conforme a complexidade do caso e o histórico cirúrgico do paciente. Em determinadas situações, as sessões podem ser realizadas apenas após a cirurgia, enquanto em casos mais complexos podem ser indicadas tanto antes quanto após o procedimento.
A indicação da terapia deve sempre ser individualizada e definida pela equipe responsável pelo tratamento, considerando as características específicas de cada paciente.
Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629



