A criptorquidia, conhecida popularmente como testículo não descido, é uma alteração congênita em que um ou ambos os testículos não chegam ao saco escrotal durante o desenvolvimento do bebê. O próprio nome tem origem no grego e significa “testículo escondido”.
Essa é uma das alterações urológicas mais frequentes na infância e costuma ser identificada logo nos primeiros meses de vida durante o exame físico realizado pelo pediatra.
Uma das principais dúvidas dos pais é: a criptorquidia pode causar infertilidade? A resposta é sim, principalmente quando o problema não é tratado no momento adequado.
Os testículos precisam permanecer dentro da bolsa escrotal porque essa região mantém uma temperatura naturalmente mais baixa do que a do restante do corpo. Esse ambiente é fundamental para o desenvolvimento saudável das células responsáveis pela produção de espermatozoides.
Quando o testículo permanece dentro do abdômen ou do canal inguinal por muito tempo, ele fica exposto a temperaturas mais elevadas, o que pode comprometer seu funcionamento e reduzir sua capacidade reprodutiva no futuro.
Quanto maior o atraso no tratamento, maior pode ser o impacto sobre a fertilidade.
O risco depende principalmente de quantos testículos foram afetados.
Na criptorquidia unilateral, quando apenas um testículo permanece fora da bolsa escrotal, o prognóstico costuma ser bastante favorável.
Após a correção cirúrgica realizada no período recomendado, a grande maioria dos pacientes desenvolve fertilidade semelhante à da população geral.
No entanto, na criptorquidia bilateral, quando os dois testículos não descem, o risco de alterações na fertilidade é maior.
Nesses casos, existe uma probabilidade significativamente mais elevada de comprometimento da produção de espermatozoides ao longo da vida. Mesmo assim, o tratamento precoce reduz esse risco e melhora as perspectivas reprodutivas.
O tratamento é realizado por meio da orquidopexia, cirurgia que reposiciona o testículo dentro da bolsa escrotal e o fixa no local adequado.
Além de facilitar o acompanhamento do desenvolvimento testicular, o procedimento busca preservar a função reprodutiva e reduzir o risco de complicações futuras.
Quanto mais cedo a cirurgia for realizada, melhores tendem a ser os resultados em relação à fertilidade e à saúde do testículo.
Se houver qualquer dúvida sobre a posição dos testículos do seu filho, procure avaliação com um uropediatra. O diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado para prevenir complicações futuras.
Dr. Marcelo de Oliveira Rosa
Uropediatra em Goiânia
CRM-GO: 6839 RQE: 3524/3629



